Ao fechar um financiamento — especialmente o de um imóvel — você quase sempre vai escolher entre dois sistemas de amortização: o SAC (Sistema de Amortização Constante) e a Tabela Price (também conhecida como Sistema Francês de Amortização). A dívida é a mesma, a taxa de juros é a mesma; o que muda é como a parcela é montada mês a mês. Essa escolha influencia o valor que você paga no começo e o total de juros ao final.
O que é a Tabela Price
Na Price, a parcela é fixa do primeiro ao último mês. Parece simples, e é justamente essa previsibilidade que atrai muita gente. Por trás da parcela constante, porém, a composição vai mudando: nos primeiros meses, a maior parte do que você paga é juro, e só uma fatia pequena abate o saldo devedor. Com o tempo, essa relação se inverte e a amortização cresce. Por isso, quem paga uma Price por poucos anos e quita antecipadamente percebe que abateu pouco da dívida principal.
O que é o SAC
No SAC, quem é constante é a amortização: todo mês você abate exatamente a mesma fatia da dívida (o valor financiado dividido pelo número de parcelas). Como os juros incidem sobre o saldo devedor, e esse saldo cai mais rápido, os juros de cada parcela vão diminuindo. Resultado: as parcelas começam mais altas e encolhem mês a mês. A primeira é a maior de todas; a última, a menor.
Comparando os dois lado a lado
Imagine financiar R$ 200.000 em 360 meses a 0,9% ao mês. Na Price, a parcela fica fixa em torno de R$ 1.875. No SAC, a primeira parcela beira os R$ 2.356 e vai caindo até cerca de R$ 560 no fim. Somando tudo, o SAC costuma pagar dezenas de milhares de reais a menos em juros. Você pode testar os seus próprios números no nosso simulador de financiamento, que mostra as duas tabelas ao mesmo tempo.
- Price — parcela fixa, menor no início, mais juros no total.
- SAC — parcela decrescente, maior no início, menos juros no total.
Quando o SAC compensa
O SAC é a melhor escolha para quem tem fôlego no orçamento para encarar as parcelas iniciais mais salgadas. As vantagens são claras: você paga menos juros no total, reduz o saldo devedor mais rápido (o que ajuda bastante se pretende quitar antes do prazo) e vê a parcela ficar mais leve com o passar dos anos — um alívio e tanto para o orçamento de longo prazo.
Quando a Price compensa
A Price faz sentido quando o que pesa é a parcela do início. Como ela começa menor que a do SAC, pode ser o que permite fechar o negócio dentro do limite de renda comprometida que o banco exige (geralmente a parcela não pode passar de cerca de 30% da renda). Se você prioriza previsibilidade e uma prestação inicial mais baixa — e não se incomoda em pagar um pouco mais de juros ao longo do contrato — a Price cumpre bem o papel.
Não olhe só a taxa: olhe o CET
Um alerta importante que vale para qualquer sistema: a taxa de juros não conta a história toda. Todo financiamento carrega seguros obrigatórios (o MIP, que cobre morte e invalidez, e o DFI, que cobre danos ao imóvel) e uma taxa de administração. Tudo isso é reunido no CET — Custo Efetivo Total, que o banco é obrigado a informar. Duas propostas com a mesma taxa podem ter CETs bem diferentes. Na hora de comparar bancos, é o CET que revela o custo real.
Resumindo
Não existe um vencedor absoluto: existe o que cabe no seu momento. Se você quer economizar juros e aguenta parcelas iniciais maiores, vá de SAC. Se precisa de uma parcela menor no começo e valoriza a previsibilidade, a Price resolve. Seja qual for a opção, simule os dois cenários com os seus números antes de assinar e compare sempre pelo CET.